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Psicanálise e Direito de Família

Abandono afetivo inverso.

No dia 06 de abril, o Fantástico exibiu uma matéria sobre abandono afetivo, destacando o direito de filhos buscarem reparação quando há omissão dos pais. O tema é importante. Necessário. Urgente. Mas existe um outro lado dessa história…que quase ninguém fala. O abandono afetivo inverso. Pais que dedicaram uma vida inteira aos filhos e que, na velhice, se encontram sozinhos, não apenas fisicamente, mas emocionalmente.Pais que, no momento de maior vulnerabilidade, deixam de ser referência e passam a ser esquecidos.Ou, em alguns casos, passam a ser controlados, utilizados e silenciados dentro da própria família. Na minha prática como mediadora e psicanalista sistêmica, vejo algo que vai além da ausência:vejo vínculos fragilizados, histórias não elaboradas e relações que nunca se sustentaram verdadeiramente. Porque o abandono, muitas vezes, não começa na velhice.Ele apenas se revela. E é na psicanálise, entendemos que os vínculos não se sustentam apenas pelo dever, mas pela qualidade da relação construída ao longo do tempo, é quando o cuidado foi marcado por ausência emocional, distanciamento ou rigidez, o que se estabelece não é vínculo  apenas função. E função não sustenta presença no envelhecimento. Muitos filhos permanecem próximos enquanto há uma dinâmica de dependência, necessidade ou até conveniência.Mas, quando o tempo inverte os papéis e o pai ou a mãe passa a precisar de cuidado, o que emerge é a verdade do vínculo: houve relação… ou apenas convivência? No olhar sistêmico, isso também revela algo importante.O filho que não reconhece o lugar dos pais, que não honra a história ou que carrega ressentimentos não elaborados, pode se afastar, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. E, em alguns casos, o que se chama de “cuidado” esconde outra dinâmica: controle, dependência emocional e até uma inversão de papéis, onde o filho assume um lugar de poder sobre o pai ou a mãe. Isso também é uma forma de abandono. Porque cuidar não é dominar e presença não é vínculo. Romper esse ciclo exige consciência, exige olhar para a história sem negação, sem julgamento simplista, mas também sem romantização. Porque nem todo afastamento é injusto. E nem toda presença é saudável. E aqui eu trago um ponto que considero muito importante e que muitas vezes se perde nas relações familiares:o lugar de cada um dentro do sistema. Como bem disse Fátima Bernardes:“Nós nunca seremos pais e mães de nossos pais.” Essa frase revela algo profundo. Quando um filho tenta assumir o controle da vida dos pais,  decidindo por eles, anulando sua autonomia ou confundindo cuidado com autoridade, há uma quebra na hierarquia natural da família. É nesse olhar sistêmico que precisamos de atenção, isso porque tem um impacto direto … quando o filho sobe para o lugar de “quem manda”,  o pai ou a mãe é colocado abaixo, e o vínculo se desequilibra. E, nesse desequilíbrio, o que parece cuidado pode, na verdade, ser desrespeito travestido de proteção, onde cuidar de pais idosos não é ocupar o lugar deles, é sustentar o próprio lugar de filho com respeito, limite e dignidade. Porque quando a hierarquia se perde, o amor também se desorganiza.

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Não consegue deixar de amar os pais

Freud dizia: “Quando pior você trata uma criança, pior ela se sente…Ela não consegue deixar de amar os pais… então deixa de amar a si mesma.” E essa é uma das feridas mais silenciosas que vejo no Direito de Família e na Mediação Sistêmica. Essa é uma verdade que ressoa em cada sessão de mediação, em cada família em conflito. A criança pequena não tem recursos para questionar a conduta dos pais. Para sobreviver, ela os ideal.  E se eles falham, se são ausentes ou tóxicos, ela não pensa: “meu pai/mãe não souberam me amar”. Ela pensa: “eu não sou digna de amor”. É aqui que a toxicidade dos pais ganha raízes profundas na autoestima dos filhos. Uma criança não tem recursos para abandonar pai ou mãe, mesmo quando são tóxicos ou ausentes.Ela precisa desse vínculo para sobreviver, consciente ou inconscientemente.Então, diante da rejeição, da indiferença ou da violência, ela não rompe o amor: ela rompe consigo mesma. Passa a acreditar que não merece cuidado.Que não é digna de afeto.Que precisa se anular para ser aceita.Essa ferida, mais tarde, vira baixa autoestima, dependência emocional, medo de abandono, dificuldade em se posicionar. E aqui está o ponto sistêmico: O pai ou a mãe que não reconhecem o filho, na verdade, também repetem uma ausência que viveram.A crítica, a frieza ou o abandono, muitas vezes, são ecos da própria dor não elaborada. Mas isso não diminui o efeito devastador sobre o filho. Por isso, refletir sobre o que entregamos às crianças não é romantismo é responsabilidade.Cuidar de um filho não é só dar teto, comida e estudo.É oferecer presença, validação e amor que nutre a identidade. Aqui seguimos estutando a dimensão consciente e inconsciente Consciente: pais tóxicos gritam, humilham, controlam, manipulam, ou simplesmente se omitem.                                                                                                                                                                 Eles acreditam que estão “educando”, mas estão apenas projetando suas próprias dores não resolvidas. Inconsciente: por trás, há padrões herdados de gerações como a raivas reprimidas, medos, frustrações.                                                                                                                                                               Sem perceber, repetem o que viveram: “apanhei e sobrevivi, então meu filho também vai aguentar”. Assim, a dor não elaborada vai sendo transmitida como herança invisível. Personalidades tóxicas que destroem vínculos O controlador: quer decidir tudo, sufoca a autonomia, anula a individualidade. O narcisista: precisa ser admirado, mas nunca reconhece o filho. Ele só existe como extensão do ego paterno/materno. O ausente: está fisicamente vivo, mas emocionalmente morto. A criança cresce no vazio da presença que nunca se concretizou. O agressor: usa a violência verbal ou física como “educação”. Gera medo, não respeito. O vitimista: coloca o filho como responsável por sua felicidade. A criança cresce em culpa crônica. Todos, de modos diferentes, produzem filhos que duvidam do próprio valor.    As consequências Autoestima frágil/Relacionamentos abusivos na vida adulta/Dificuldade em confiar/Autocrítica severa/Viver para agradar, sem saber quem se é Mas há uma boa notícia: a dor pode ser ressignificada e o caminho de cura é: A consciência liberta quando o adulto entende que não foi falta de valor, mas falta de maturidade dos pais, a história pode ser rescrita.O ciclo pode ser interrompido e o filho pode escolher não repetir com os seus filhos aquilo que recebeu. Por fim chaga-se a conclusão que: A criança não deixa de amar os pais. Ela deixa de amar a si mesma.Mas a boa notícia é que, quando a dor vira palavra e consciência, esse amor-próprio pode ser reconstruído.E a próxima geração já não precisa carregar o peso que não é dela.

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Psicanálise e Direito de Família

PALAVRA, DOR E LEI → Inspirado na ideia de Alice Miller

 Série: Psicanálise Contemporânea e Direito de Família → Inspirado na ideia de que “a dor que não vira palavra retorna em comportamento”. → Tradução de como a palavra pode virar acordo e solução. Alice Miller dizia que a dor que não se transforma em palavras retorna em comportamento.No Direito de Família, eu vejo isso todos os dias quando a dor não é dita, ela aparece nas audiências como grito,                                                                                                                                                        no divorcio com rejeição e traição, na guarda como disputa, na herança como ruptura. O silêncio emocional vira comportamento jurídico. O que não é reconhecido, se repete.E as famílias adoecem em ciclos de mágoa, disputa e ausência de diálogo. É por isso que acredito tanto na Mediação Sistêmica.Ela não é só um método.É um espaço onde as dores podem virar palavras,e as palavras podem virar soluções. Porque na família e também na justiça o que não é falado, acaba sendo atuado.  Nesse sentido, o “eco” de Alice Miller não é apenas uma citação, mas uma tradução prática para o seu olhar                                                                                                                                                           de mediador (a): o que ela falou sobre a psique, você mostra como se manifesta no tribunal e nas relações familiares. Portanto na visão sistema familiar, o que não é reconhecido tende a se repetir.Um filho carrega a raiva que não é sua.Um neto revive exclusões do passado.As dores se perpetuam, porque não foram transformadas em palavras. O Direito de Família entra, muitas vezes, para dar forma ao que a emoção não soube lidar.Mas nem sempre um processo judicial resolve, muitas vezes, apenas oficializa no papel a mesma dor que já se vivia em casa. É por isso que me encata essa nova maneira lidar com conflitos atraves da Mediação Sistêmica oferecendo um caminho diferente: um espaço para falar com clareza para reconhecer e fazer acordos justos e para além do direito que respeitem não só pessoas, mas os vínculos. E é aqui quando a dor se transforma em palavra, ela pode deixar de ser peso e se tornar consciência.E quando há consciência, há a chance de quebrar ciclos, de dar novos significados e de construir relações mais saudáveis. No Direito de Família, cada processo é mais que papel.É a oportunidade de transformar dor em palavra.E palavra em solução. Cássia Melo Correia CURIOSIDADE : Alice Miller dedicou sua vida e seus estudos à tentativa de compreender a dor humana a partir do princípio do trauma da infância. Eu Cássia Melo dedica a sua vida a estudar, além da tentativa de compreender a dor humana a partir do princípio do trauma da infância, as relações emocionais                                                   do sistema famíliar em defesa dos direitos da crianças e dos idosos pela a suas vulnerabilidas.   

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